Em show marcado por emoção e ancestralidade, Banda Africania presta homenagem ao multiartista feirense Bel da Bonita


A banda Africania encerrou com emoção o último dia da Micareta de Feira neste domingo (4), com um show repleto de ancestralidade e samba de roda, em homenagem ao fundador do grupo e referência cultural feirense, Bel da Bonita. A apresentação aconteceu justamente no dia em que Bel completaria 53 anos, e marcou a primeira vez que o grupo se apresentou sem sua presença.

Bel da Bonita, que morreu em 18 de abril vítima de um infarto aos 52 anos, foi o idealizador da Africania em 2006 e teve papel fundamental na valorização da cultura afro e dos artistas do interior baiano. Em vida, havia manifestado o desejo de estar na Micareta este ano. "Responsabilidade, muita responsabilidade. Continuar fazendo as coisas que ele fazia... a sensação é essa: de responsabilidade e continuidade", disse Cid Fiuza, guitarrista banda.

Durante a apresentação, o grupo entoou músicas que exaltam a identidade cultural baiana e declarou em coro: “O show tem que continuar”. Para o vocalista e percussionista Ramiro Luiz, a data foi simbólica e carrega um novo sentido para o grupo. “Hoje é o aniversário dele. A responsabilidade é muito maior. Estamos comemorando a vida dele, a música dele, e isso fecha um ciclo”, declarou.

FAMÍLIA - A homenagem teve a presença de familiares, como o irmão do artista, Henrique da Silva, 53, que destacou a importância do reconhecimento: “Esse palco em memória do meu irmão é um merecimento. Ele construiu uma carreira em Feira e foi um ativista cultural e ambiental de grande força”.

Anny Waleska, 52, neuropsicóloga e companheira de Bel, acompanhou emocionada o show: “Procuro lidar com a saudade aqui nesse palco. Ele representa o amor que todos sentem por Bel e o reconhecimento da trajetória dele como músico e mestre da cultura”.

LEGADO - A homenagem mobilizou a cena cultural de Feira. O cantor Gilsam, que se apresentou no sábado (3), afirmou: “O nosso futuro é ancestral. É necessário dar esse mergulho e reconhecer quem pavimentou o caminho”.

Para Lorena Cerqueira, 43, produtora, jornalista e artista, a noite foi uma celebração de legado: “Esse espaço é um encontro de quem entende o valor do que Bel construiu”.

O show do Africania no Palco Bel da Bonita reforçou o papel da Micareta como espaço de memória, resistência e valorização da cultura popular baiana.

SecultBA
Publicado em 05/05/2025