Ilê Aiyê reúne gerações de mulheres em conexão com a ancestralidade
Deusa do Ébano de 1989, Eide, 52 anos, viajou da Itália, onde mora há 32 anos, para reviver a emoção de estar no Ilê Aiyê. Com um olhar carregado de memórias, ela lembra do impacto que o bloco teve em sua trajetória. “Minha história começou justamente dentro desse bloco, que, para mim, foi uma grande lição. O Ilê me ensinou a ser uma mulher negra, a me valorizar mais, porque, antigamente, o racismo era ainda mais forte, mas conseguimos quebrar essa barreira.”
Vencedora do concurso no ano de Zumbi de Palmares, Eide se destacou pela sua dança e presença marcante, elementos que a levaram a trilhar um caminho internacional. Na Europa, continuou levando a cultura afro-brasileira por meio da arte, mas, todos os anos, retorna à Bahia para reviver suas raízes. “Todo ano volto para matar a saudade do Carnaval, da nossa cultura, da nossa gente e, principalmente, da minha casa, que é o Ilê Aiyê.”
Se o passado se fez presente no desfile do Ilê, o futuro também se manifestou na figura de Lorena Bispo, 22 anos, a Deusa do Ébano 2025. "É muito importante, porque não é só sobre mim, mas sobre a história da minha família, sobre a continuidade ancestral e também sobre um compromisso político, cultural, educacional e artístico que venho trilhando durante toda a minha vida, sobretudo neste momento.”
O desfile, que encerrou o Carnaval com chave de ouro, foi uma explosão de cores e ritmos. As roupas vibrantes, adornadas em dourado, enalteceram a beleza e a ancestralidade do bloco. A percussão potente, conduzida pelos homens na retaguarda, embalou as coreografias marcantes das Deusas e das Princesas do Ébano, que ocuparam o trio principal. No outro trio, a banda do Ilê Aiyê animava os foliões, que acompanharam o cortejo com muita animação.
Entre os foliões, Conça Costa, 67 anos, acompanhava cada batida com a energia de quem vive o Ilê Aiyê há décadas. Para ela, estar ali é mais do que uma festa, é um reencontro com a história e os antepassados. “A ancestralidade do Ilê Aiyê é divina, nos transporta para outro lugar e nos faz vivenciar nossa história. O Ilê Aiyê não me transporta, eu me transporto para o Ilê.”
SecultBA
Foto: Gabriel Martins
Publicado em 05.03.2025
