UEFS comemora os 21 anos do CACD - Campus Avançado da Chapada Diamantina
Desde o nascer do sol da última sexta-feira (04), as movimentações no casarão que abriga o Campus Avançado da Chapada Diamantina da Universidade Estadual de Feira de Santana ( CACD -UEFS) seguiram intensas até que tudo estivesse pronto para o primeiro evento do dia: a palestra de abertura que marcou o início das comemorações dos 21 anos do CACD, na cidade de Lençóis.
Aos poucos convidados e convidadas chegavam à sede do CACD. Professores, professoras, gestores, representantes de comunidades quilombolas, de povos indígenas, de entidades e setores da União, Estados e Municípios, bem como estudantes da rede municipal de ensino, do Profciamb (Programa de Pós-Graduação em Rede Nacional Para Ensino das Ciências Ambientais) e também egressos da Uefs, além de líderes religiosos e tantas outras pessoas que compõe e constroem as atividades diárias do campus. Logo o auditório localizado no pavimento superior estava lotado de pessoas que espelham toda a diversidade e pluralidade de cultura e identidade da Chapada Diamantina.
Mesas e palestras
A mesa de abertura foi composta pela vice-reitora Eva Carvalho, a Pró-Reitora de Extensão, Rita Brêda, os professores Alexandre Clístenes e Marjorie Nolasco - estes dois últimos, atuais responsáveis pela gestão do CACD – e a Secretária Municipal de Turismo de Lençóis, Laura Garcia. Também compuseram a mesa, Suely Costa dos Anjos, representando o Centro Educacional Renato Pereira Viana (CERPV) e também, como fez questão de ressaltar, o Profciamb programa do qual é aluna e Paola Publio, diretora da Casa Afrânio Peixoto.
Em sua fala, a vice-reitora Eva Carvalho ressaltou a importância dos diálogos entre CACD-UEFS e as ciências e saberes que constituem a diversidade de identidades da Chapada Diamantina ''A alegria de estar aqui vivendo este momento de celebração é tão grande quanto a certeza da importância das construções produzidas entre os povos originários, quilombolas e todas e todos que representam, em suas existências, a verdadeira democracia, potente e inclusiva. O CACD é a UEFS'', afirmou.
Em seu discurso, a Pró-Reitora Rita Brêda reafirmou o compromisso da UEFS com o CACD através da extensão garantindo que ''os projetos e perspectivas são extremamente promissores na relação entre Chapada Diamantina e UEFS. Vamos caminhar e trabalhar para que o CACD e a Pró-Reitoria de Extensão estejam cada vez mais próximos e alinhados'', disse. O coordenador em transição do CACD, professor Alexandre Clístenes, trouxe no seu breve discurso a importância das pesquisas, parcerias e projetos realizados pelo CACD, o que foi ressaltado também pela Secretária de Cultura Laura Garcia, a professora Suely dos Anjos e Paola Publio.
Na palestra da professora Marjorie Nolasco que, mesmo de licenciada fez questão de participar do evento, foi possível conhecer um pouco da história do CACD e a relação com a cidade de Lençóis. ''Se hoje ocupamos este espaço, foi pela vontade da população, estudantes e professores que ocuparam as ruas e exigiram que a Uefs aqui fosse instalada'', contou Nolasco que prosseguiu com a contextualização histórica e funcional sobre a atuação do CACD. Após as palestras, todas e todos participaram do Jarê conduzido por Mussum, do Terreiro de Jarê dos Filhos de Deus e Oxalá.
Encerrando este primeiro momento, ocorreu a palestra intitulada “Mudanças no sistema produtivo como forma de preservação de ecossistemas aquáticos” com os professores Alexandre Clístienes e Luisa Sarmento Soares e, após, ao público prestigiou a professora Gislene Moreira na Aula - Espetáculo Sertões Contemporâneos
Roda de Prosa
Um dos momentos mais marcantes do evento foram as trocas ocorridas na “Roda de Prosa : Vivências, partilhas e cultivos: comunidades tradicionais e movimentos sociais na Chapada Diamantina”, que teve como proposta o fortalecimento da relação entre universidade, poderes públicos e sociedade civil tendo como ponto de reflexão o tema: “Água, território e segurança alimentar: conectando saberes e construindo caminhos para um mundo melhor”. Na oportunidade, também foi evidenciada a importância das comunidades tradicionais e dos movimentos sociais em toda a Chapada Diamantina. A professora Maria Medrado foi a facilitadora do momento.
Participaram dos diálogos o cacique Juvenal Payaya, representando o Povo Payaya / Cabeceira do Rio – Utinga; Vanusa Tapuya, representando o Povo Tapuia / Riacho das Palmeiras – Seabra; Araceli Dias, representando a Comunidade Quilombola do Remanso; Mussum, representando o Terreiro de Jarê dos Filhos de Deus e Oxalá / Comunidade das Capivaras; Uiliami Dejan representando os projetos Grãos de Luz e Griô; Kriscia Santos, representante do Movimento dos Pequenos Agricultores / APRUVA (Associação dos Produtores Rurais de Volta do Américo); Claudio Dourado, representando a Comissão Pastoral da Terra; Paulo Torres – Professor da UEFS e da Pós-graduação em Direitos Humanos e Contemporaneidade / UFBA. Membro fundador da AATR (Associação de Advogados dos Trabalhadores Rurais); Emílio Tapioca - Coordenador da Câmara Técnica de Cultura do CODETER e Representante Territorial de Cultura do Território Chapada Diamantina/ SECULT/Ba e Vanusia Santos, que representou a Comunidade Quilombola da Bocaina / Piatã.
Lançamento de livros e encerramento
Em continuidade às comemorações dos 21 anos do CACD, a UEFS Editora promoveu o lançamento de oito livros que trazem em seu bojo, temáticas e discussões que se coadunam com as pesquisas, projetos e ações do CACD na Chapada Diamantina.
Sob a mediação do coordenador da UEFS Editora, Murillo Campos e sua equipe, os autores apresentaram suas obras ao público presente. Os livros são: ‘’Peixes e água da Chapada Diamantina - Bahia: vida e história no alto rio Paraguaçu’’, dos autores Alexandre Clistenes Santos, Luisa Sarmento e Ronaldo Pinheiro; ‘’A autorregulação da aprendizagem no meio musical: diálogos em pesquisas’’, da professora Mônica Vasconcelos e Cristiane Otutumi; ‘’Cartografias formacionais docentes: realces sócio-epistemológicos, curriculares e pedagógicos, obra organizada por Ana Paim, André Nascimento e Nadja Maciel; ‘’Darwinismo e racismo científico no Brasil’’, de autoria de Cláudia Sepulveda; ‘’Roda de Prosa na periferia’’, livro do Cacique Juvenal Payaya; ‘’Garimpo de silêncio: a vida e o trabalho das mulheres nas Lavras Diamantinas’’, obra de Daniella Silva; ‘’Remanescentes de quilombos: escravatura, disputa territoriais e racismo institucional’’, livro do professor Paulo Torres e, por fim, ‘’Munturo’’, romance escrito por Gislene Moreira.
Após um dia intenso de confraternizações e encontros, a programação foi encerrada com a apresentação musical com os jovens da Phylarmonica Lyra Popular e do grupo vocal Licemus, da UEFS.
Ascom/UEFS
08.08.2023
08.08.2023

