UEFS abre semestre letivo com Aula Magna sobre Democracia e Igualdade de Gênero


Como marco ao início das atividades do semestre letivo 2025.2, a UEFS promoveu a Aula Magna intitulada “Democracia brasileira sob a perspectiva de gênero: representatividade, enfrentamentos e vitórias na busca por igualdade”, na última quinta-feira (7), no Anfiteatro do Módulo 2 da Universidade.

O evento reuniu estudantes, docentes, técnicos e representantes institucionais para refletir sobre os desafios e avanços da democracia brasileira sob o olhar das questões de gênero. Estiveram presentes a reitora da Universidade, Amali Mussi, a vice-reitora, Rita Brêda, o representante da Secretaria estadual da Educação (SEC), José Bites, o ex-reitor da UEFS, Josué Melo, e os representantes dos estudantes, docentes e técnicos da instituição.

"É uma alegria imensa estarmos reunidos para a abertura do semestre 2025.2 e da nossa aula magna. Saúdo os nossos estudantes, docentes e técnicos. O tema da democracia nesta atividade, especialmente sob a perspectiva de gênero, é urgente e essencial na universidade. Promover conhecimento, combater a desinformação e garantir autonomia são pilares de uma sociedade livre e justa", destacou a reitora, Amali Mussi.

Durante a atividade, a vice-reitora, Rita Brêda, destacou o papel coletivo na construção da universidade e a importância da reflexão contínua. "Iniciamos mais um semestre repleto de desafios, que exige novas atitudes e lutas. A universidade pública se constrói coletivamente, a partir dos lugares que cada um ocupa e das conexões com a comunidade".

Desta vez, o tema da aula foi proposto pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do 3º Grau da Bahia (Sintest). "Entendemos que discutir gênero é essencial para fortalecer a luta por igualdade.especialmente num momento inédito em que temos duas mulheres à frente do reitorado da nossa Universidade".

A representante da Assosciaçao de Docentes (Adufs), Andressa Ferreira, reafirmou o compromisso da entidade com a luta por justiça social. "Estamos ao lado das que lutam: pela ampliação de direitos, pela ocupação dos espaços de poder. Que sejamos insubmissas e sigamos firmes, autônomas, democráticas e em luta".

Em seu discurso, a representante dos discentes, Gabriela Piton, celebrou a aprovação da criação da Comissão Permanente e do Programa de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e a quaisquer formas de opressão e discriminação na UEFS, na última reunião do Conselho Universitário. "Essa conquista, embora reivindicada pelo movimento estudantil, é uma vitória de todos. Lutamos por ela desde a gestão estudantil de 2023, estivemos em toda a sua construção e seguiremos para garantir seu pleno funcionamento".

Participação das mulheres nos espaços de poder

Mediada pela docente Mirna Silva Oliveira, a Aula Magna da Universidade contou com a palestra da defensora pública da Bahia, Firmiane Venâncio, que trouxe reflexões contundentes sobre os entraves à participação das mulheres — especialmente mulheres negras — nos espaços de poder. Em sua fala, a defensora abordou questões estruturais que dificultam a inclusão e a representatividade feminina na política e nas instituições públicas.

“Num país que se diz democrático, com liberdade e estrutura política voltada à participação de todos, é preciso entender por que a inclusão das mulheres, especialmente das mulheres negras, não acontece. As pesquisas mostram que o Brasil está muito aquém de outros países da América Latina em termos de representatividade feminina. Cada instituição precisa fazer sua parte: implementar políticas de igualdade de gênero, acolher mulheres em situação de violência — inclusive violência institucional e assédio — e formar os profissionais do sistema de justiça com uma perspectiva crítica e sensível ao gênero”, destacou Firmiane.

A defensora também destacou o papel da juventude universitária na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, reforçando a importância da formação crítica e do engajamento político. “Na universidade, onde o público é majoritariamente jovem, é essencial engajar a juventude na construção de uma democracia mais inclusiva. É preciso conhecer a história, entender como o Estado foi construído, por que homens não votam em mulheres, por que mulheres também não votam em mulheres. Só o conhecimento e a educação têm o poder de transformar essa realidade”.

UEFS
Publicado em 09.08.2025
Foto: Edvan Barbosa